BPM não morreu, ele se tornou Ágil

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Já ouviu ou recebeu algum artigo explicando que BPM morreu ou ainda, uma extensa retórica alegando que processos travam a inovação e a cultura de uma organização?

Nem mesmo o Gartner, um dos mais renomados institutos mundiais, deixou de emitir seu parecer publicamente sobre o tema, por meio de um artigo com a seguinte chamada: “Traditional BPM is killing innovation” ou “BPM tradicional está matando a inovação”.

Embora esta afirmação tenha um bom fundamento, é importante entender as bases deste contexto, pois, na verdade, BPM morreu na concepção dos alicerces em que foi estabelecido na década de 90. No entanto, a essência de sua aplicação, sua simples e potente visão horizontalizada e sua promoção de visibilidade das etapas que compõem um processo, seja ele de alto ou baixo valor, foram se agregando a novos conceitos, metodologias e filosofias, onde foi possível adequá-lo de maneira assertiva e dessa forma, obter os tão esperados resultados ora prometidos nas décadas passadas.

Já é de amplo conhecimento do mercado que a transformação digital e a velocidade das mudanças trazidas por ela ou por mera consequência de sua “existência”, alterou drasticamente o modo como as empresas entregam valor para os seus clientes. Se antes, a eficiência operacional era a receita de sucesso das empresas líderes de mercado – segundo Michael Porter – sabemos que nos dias atuais a inovação orientada ao cliente, promovendo uma experiência memorável, passou a ser a nova regra do jogo ou seja, melhoria contínua deu lugar a inovação contínua.

Ainda que sendo um pouco simplista, fica fácil analisar esta mudança de conceitos de valor, verificando os próprios fatos do mercado: Será que se a Blackberry, líder do segmento de smartphones até 2006, se manteria no mercado por meio de ciclos de melhoria contínua? Ou seja, produzindo mais rápido, com mais qualidade, mais produtividade e com um preço mais acessível? Ora, sabemos que a onda que varreu a Blackberry do mercado foi a inovação proposta pela Apple com os IPhones ou melhor dizendo, com a experiência que o IPhone promovia aos seus usuários. A inovação não matou a melhoria contínua, mas foi preponderante a ela e passou a ser um atributo essencial em toda e qualquer organização.

Importante ressaltar que inovação não é meramente um processo de criatividade ou de invenções desconexas. Inovação é uma cultura que pode ser potencializada por frameworks e metodologias e que trarão o resultado esperado se apenas um pequeno e essencial ponto estiver corretamente alinhado: o foco na jornada do cliente! Afinal, para quem vamos inovar? A frase parece bonita mas traz consigo um enorme desafio: a adaptabilidade, já que estar conectado na jornada do cliente tem a premissa de que os desafios, anseios e necessidades dos clientes mudam a todo tempo. Então, como inovar em sintonia com esta volatilidade?

É aí que entra o novo e restaurado papel de BPM, suportado, sobretudo, pela filosofia Ágil. Cabe esclarecer que, BPM é uma disciplina e Ágil é uma filosofia e, por essência, são coisas diferentes. Uma filosofia não informa o passo a passo de como algo deve ser feito, como por exemplo uma metodologia assim o faz. Filosofia é um conjunto de princípios que devem ser observados, mas como você atinge esses princípios, cabe a sua cultura, maturidade e disponibilidade de recursos. Esta lacuna é essencial para não engessar as organização em pregar todos os “comos”, deixando a liberdade e a adaptação, respeitando cada cultura e realidade.

Enquanto BPM facilita a visão completa da jornada do cliente, suporta o desenho de novos produtos e serviços e orienta tanto os processos de mudança quanto inovação, a filosofia ágil orienta estes pontos com rápida e constante entrega de valor, promove como cultura a experimentação contínua, que permite errar cedo e alcançar a exata necessidade do cliente mais rápido, e ainda, fornece a flexibilidade que BPM precisa para entregar resultados, por meio de processos, em ambientes altamente dinâmicos, incertos, voláteis e complexos. Desse casamento perfeito, a união chama-se Processos Ágeis.

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